home Notícias 139ª Convenção da AES – Um evento inspirador

139ª Convenção da AES – Um evento inspirador

Este texto foi originalmente publicado como parte da Newsletter Semanal “The Audio Voice”. As opiniões do autor não refletem qualquer posicionamento da AES Brasil.

Por João Martins – editor-chefe da revista americana AudioXpress

Conforme esperado, a 139ª Convenção Internacional da AES foi uma grande evento com um dos programas técnicos mais atualizados e completos. Até mesmo o clima em Nova York ajudou, com uma bem vinda mudança do clima tempestuoso que pairava para quatro dias ensolarados. A exposição também foi extremamente interessante, com uma forte presença das empresas, produtos e tecnologias atraindo um grande fluxo de visitantes, especialmente nos primeiros dois dias.

site1

Minha principal impressão do evento é que a exposição da AES continua a ser uma excelente oportunidade para muitas empresas menores, em particular as fabricantes de eletrônica analógica de boutique – de prés valvulados e compressores à channel strips completos que continuam a ser itens populares e essenciais tanto para estúdios de projeto como comerciais nesta era digital.

Também havia uma vasta variedade de novos e interessantes monitores de estúdio (Genelec e PMC ampliaram suas apostas nas linhas principais), novos microfones e até mesmo um surpreendente número de consoles analógicos de topo, como o impressionante console Rupert Neve Designs 5088 90V, um console de mixagem classe A com transformadores customizados para cada entrada e saída (incluindo os inserts), combinado com uma nova automação SwiftMix e controle de DAW por Ethernet; a nova AMS Neve BCM10/2 Mk2, um console potencializado pelos prés e EQ Neve 1073 com 1272 Summing Mixes agora disponível em 10, 16, 24 e 32 canais (deve começar a ser comercializada em Janeiro de 2016); E a API exibindo a incrível API Vision, uma console surround de 48 Canais e uma nova 1608 de 32 canais para gravação, além de apresentar o novo amplificador de linha 535-LA (formato série 500), com modelação baseada nas placas 325.

Havia também uma boa quantidade de consoles digitais no evento, com a Lawo, DiGiCo, Yamaha, Cadac, Solid State Logic e muitas outras fabricantes-líderes mostrando seu comprometimento à feira da AES no mesmo nível que o fazem em outros grandes eventos.

site2

O que ainda continua a ser um desapontamento durante as feiras da AES é fraca presença do mundo do software. Em um ambiente focado como este, ideal para empresas menores promoverem tecnologias para uma audiência de alto nível, é muito estranho que poucas empresas de software tenham estandes. A Project Studio Expo tem um fluxo contínuo de palestrante para sessões cheias, mostrando como software é atualmente a grande ferramenta no áudio profissional. De Estações Digitais de Áudio (DAW) até soluções de som e gravação ao vivo, e mesmo quando nós discutimos a evolução do áudio digital na era das redes, ferramentas em software continuam a estar no centro dos fluxos de trabalho. Empresas focadas no digital, como Slate Digital e Waves Audio, por exemplo, atraem multidões todas as vezes que apresentam suas soluções.

Ainda sim, algumas importantes empresas de software não são encontradas no evento, ou simplesmente estão representadas num cantinho do estande de algum distribuidor. Deve haver uma maneira melhor de promover o software do que simplesmente carregar um iMac para rodar uma demo para no máximo duas pessoas por vez. E enquanto a Avid continua a promover seu ecossistema Pro Tools com seus parceiros, eu fiquei entristecido de ver algumas empresas inovadoras limitadas a estes cantinhos escondidos. O conceito faz sentido para start-ups que estão tentando alavancar a plataforma e comunidade da Avid, mas não funciona para empresas de software bem estabelecidas que atrairiam centenas de visitantes cada por conta.

site3

Encarando aspectos mais positivos do evento, a 139ª Convenção claramente tocou nos pontos mais importantes da indústria do áudio. A sessão de abertura já “ajustou o tom” com um keynote de Michael Abrash, Cientista Chefe da Oculus VR (empresa do Facebook). Abrash fez uma apresentação inspiradora e divertida de como a pesquisa em áudio e desenvolvimento vai tomar uma parte central no futuro das aplicações de realidade virtual (VR), e quais oportunidades serão abertas para a comunidade de engenheiros de áudio. AS aplicações podem parecer ainda alguns anos à frente, mas foi realmente renovador ouvir alguém cujo trabalho está na crista da onda da tecnologia e não restrita às convenções padrão da indústria. A sessão contou com a participação de uma delegação de jovens estudantes da AES e não tenho dúvida que todos eles ficaram inspirados pela forma como Michael Abrash questionou a percepção e a forma de pensar “fora da caixa” frente às novas aplicações do áudio.

Falando de tecnologias novas, houve algumas apresentações na AES focadas em tópicos que considero os pontos altos do evento. A primeira aconteceu no estande da Audinate, e foi a apresentação sobre a nova solução em software de áudio em rede Dante Via. O sistema ficou em desenvolvimento por mais tempo do que a empresa australiana gostaria (era para ter sido apresentada no final de 2014), mas a demonstração em Nova York claramente mostrou que se trata de um dos mais importantes desenvolvimentos para tecnologias de áudio em rede.

Basicamente, o Dante Via permite que sistemas de áudio standalone ligado via rede à computadores trafeguem dois canais de áudio entre si sem a necessidade de nenhum hardware Dante dedicado. Desta forma, o Dante Via aprimora qualquer dispositivo de áudio USB, Firewire ou Thunderbolt com conectividade em rede, permitindo expandir sistemas Dante com centenas de dispositivos já disponíveis sem a limitação de cabos curtos. O software pode conectar-se à aplicações como Cubase, Pro Tools, Logic, PorPoint Audio, ou até mesmo Skype, permitindo que Macs e Pcs enviem, recebam e monitorem qualquer faixa enquanto gravam, ou usar Dante Via como uma ferramenta para monitorar qualquer canal remoto ou local.

Enquanto que o Dante Virtual Sound Card é uma aplicação robusta e com alto números de canais com o único propósito de passar este número de canais em ins e outs de um computador, o Dante Via permite que uma gama de dispositivos e aplicações muito mais larga possa ser roteada e ligada em rede, dois canais por vez, até mesmo criando redes Dante usando somente computadores.

site4

Próximo ao estande da Audinate estava a Mytek, uma empresa especializada em conversores de áudio sediada no Brooklyn, Nova York, que apresentou seu novo sistema Brooklyn USB2 DAC que é um pré-amplificador e amp de fones de ouvido. A Mytek também oferece conectividade Dante em seus conversores profissionais, mas no novo produto oferece suporte MQA (Master Quality Authenticated), além de DSD e DXD. Da mesma forma que a tecnologia de redes Dante está revolucionando o áudio profissional, a MQA, criada pelo fundador da Meridian Bob Stuart, vai em breve permitir que um novo nível de conteúdo de alta qualidade seja distribuído em aplicações de áudio para o mercado de consumo.

Por fim, outro importante destaque na 139ª Convenção da AES foi a primeira demonstração pública da interoperabilidade de streaming de áudio sobre IP AES 67 entre várias plataformas disponíveis baseadas em IP. A demonstração, que aconteceu no estande da Media Networking Alliance, promoveu reconhecimento ao novo padrão AES 67, com mais de 22 dispositivos de diferentes fabricantes.

Havia dispositivos usando Dante, Livewire, Q-LAN e RAVENNA e eles também estavam todos conectados à um único e simples switch Ethernet. O AES 67 foi demonstrado tanto em transmissões de áudio Unicast (um-para-um) como em multicast (um-para-muitos) e ficou clara a validação dos benefícios deste importante esforço da indústria.

Compartilhe!